\n'; document.write(barra); } } changePage();
Vai rindo, vai...Texto
de Amorim
Amor animalValdenir
era um sujeito legal. Trabalhador (apenas o necessário) seus vícios eram
catalogados como vergonhosamente aceitáveis. Protegia a mãe, idosa, dos
ataques da Previdência Social e sempre que podia ou sobrava um troco encharcava
a cara de cerveja com os amigos. A única nódoa em seu boletim de ocorrências,
digo, currículo, era não ter assumido umas três crianças espalhadas entre
o Rio e Porto Alegre. Afinal, liberdade era seu lema, seu oráculo e, quem
sabe, seu epitáfio. Sua filosofia de vida, lapidada durante anos com cerveja
e queijo provolone era "todas as mulheres do mundo, mas uma de cada vez!"
Por isso a corja de amigos não entendeu muito quando Valdenir chegou com ares distantes naquela manhã de sábado. Com a cara de nojo, característica dos seres superiores, avisava que não iria jogar a tradicional peladinha no sábado. Entre suspiros de alívio da patuléia (afinal não jogava nada) Valdenir acabou confessando que estava in love outra vez. Conhecera a vítima no pagode daquela madrugada. Combinara de fazer um passeio no Jardim Zoológico com Jucinara e seu pimpolho: - O amor justifica tudo, até ficar olhando saco de macaco! - disse com sua veia poética completamente infartada. Pegou o ônibus e em meia hora já esperava por sua musa inspiradora. Com sua paranóia de sempre chegar cedo aos compromissos, esperou mais uns quarenta minutos na porta do Zoológico, pra ver se aprende... Afinal Jucinara desceu esfuziante e atrasada da passarela, mais conhecida como degrau do ônibus. Balançou seus sedosos cabelos que tanto impressionaram Valdenir na véspera... Curioso! Jucinara chacoalhou a cabeça e o cabelo ficou em pé, paradão. Mas deixa pra lá. Menina tão linda quanto Jucinara nem se abala com isso...Bem, na verdade, linda, não! Feínha e olhe lá... Valdenir olhou pra Jucinara tentando descobrir de onde ela trouxera tanta espinha na cara. "Ontem não haviam tantas..." - Chegou na hora, heim, colega? - relinchou Jucinara. Com seu sorrisinho meigo, Jucinara revelou ao mundo o dente que não veio. Valdenir teve que se segurar para não cair no buraco e pensou: "Bem, ainda resta a bundinha..." Bondade sua. Só um escritor de ficção científica poderia imaginar algo debaixo de toda aquela celulite. Tentou puxar um papo cabeça só pra não ser chamado de machista. Desistiu depois que ela soltou o terceiro "é ruim, heim???" Desnorteado, Valdenir arrependeu-se da cerveja bebida no maldito pagode. O que fazer? Ao se aproximarem do tanque dos jacarés, deixou seu lado talibã falar mais alto e empurrou o pimpolho mureta abaixo. Na confusão, Valdenir some para nunca mais aparecer. O pimpolho passa bem, apesar do joelho esfolado e o sapato que o jacaré comeu. Hoje Jucinara chora de paixão, até o próximo pagode, onde espera arrumar grana e pagar a multa do Zoológico por dar comida ao jacaré... |